Água da chuva pode conter agrotóxicos e não é segura para consumo direto, aponta estudo

Água da chuva pode conter agrotóxicos e não é segura para consumo direto, aponta estudo

Diante da crescente escassez de água causada pelas mudanças climáticas e pelo aumento da população, muitas comunidades têm buscado na água da chuva uma alternativa para suprir necessidades básicas. No entanto, um estudo recente reforça um alerta importante: essa água pode estar longe de ser pura e segura, especialmente quando não passa por tratamento adequado.

Pesquisadores da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) analisaram amostras de água da chuva coletadas entre 2019 e 2021 em três cidades do interior paulista. Os resultados revelaram a presença de resíduos de agrotóxicos, indicando que até mesmo a água que cai do céu pode carregar contaminantes oriundos de atividades humanas — principalmente da pulverização agrícola.

A pesquisa reforça os avisos já feitos por entidades como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, que recomendam não utilizar água da chuva para consumo, preparo de alimentos ou higiene pessoal sem tratamento apropriado. Isso porque, além de substâncias químicas, a água pluvial pode conter bactérias, vírus, metais pesados e outros poluentes atmosféricos absorvidos durante o trajeto até os reservatórios.

Embora o uso de sistemas de captação de chuva seja incentivado em contextos de escassez, os especialistas alertam para a falsa sensação de segurança. “Só porque a água vem do céu não significa que ela esteja livre de contaminação”, explica um dos responsáveis pelo estudo. “As condições atmosféricas e o uso intensivo de defensivos agrícolas aumentam a exposição a substâncias potencialmente tóxicas.”

A contaminação por agrotóxicos é especialmente preocupante, já que essas substâncias têm sido associadas a efeitos adversos à saúde humana e à biodiversidade. A exposição prolongada pode causar problemas hormonais, neurológicos e até câncer, segundo a Organização Mundial da Saúde.